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INFÂNCIA & FORMAÇÃO DAS CRENÇAS

Do nascimento até completar 6 anos, primeira infância. É quando a janela em que experiências, descobertas e afeto são levados para o resto da vida. Assim do zero aos 7 anos nosso cérebro produz de 700 a 1000 neurônios por segundo. Os neurônios são as células que compõem o sistema nervoso, responsáveis por conduzir, receber e transmitir os impulsos nervosos através do corpo, fazendo com que este responda aos estímulos do meio, por exemplo. O sistema nervoso humano é formado por dois grupos de células: neuróglia e neurônios. Além de ter a função de transmitir os estímulos, os neurônios também transmitem informações entre si através de sinapses, processos que consistem justamente na troca de informações entre essas células. Segundo a fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, os desafios começam logo ao nascimento, com a taxa de mortalidade infantil voltando a crescer pela primeira vez em mais de 15 anos. Risco de ser exposto à violência logo em seus primeiros anos. Desafio de obter uma vaga na creche, visto que entre as mais vulneráveis, apenas 26% conseguem acesso. Ou até mesmo de ser prejudicado por políticas públicas que não colocam a criança de até 6 anos como prioridade. É nessa faze que nossas crenças são formadas.

Jean Piaget era psicólogo e biólogo suíço que realizou uma série de estudos sobre infância, dividindo-os em estágios. Afirma que as crianças passam por estágios específicos de acordo com seu intelecto e capacidade de perceber relacionamentos maduros, estágios da infância ocorrem na mesma ordem em todas as crianças, em todas as culturas e origens. O estágio pode variar ligeiramente de criança para criança. As crianças terão um estágio de desenvolvimento cognitivo natural onde a criança “aprende a pensar” ou interage no mundo em que vivem. As mudanças evolutivas na vida da criança são marcadas por etapas durante toda a infância, desde o momento em que nascem até a pré-adolescência. É nesse processo evolutivo onde certas habilidades cognitivas serão desenvolvidas, são conhecidos por serem divididos de acordo com os estágios de Piaget. Sua teoria classifica os estágios durante o desenvolvimento cognitivo de uma criança em diferentes idades. Por exemplo, o tipo de linguagem que as crianças usam dependerá de sua idade (palavras inventadas, pseudopalavras, usando a terceira pessoa, ecolalia, etc.), bem como seu pensamento (auto-centrado, na medida em que tudo acontecendo no mundo está acontecendo na frente dele ou ela), ou habilidades físicas (imitar, rastejar, andar, correr, etc.). Piaget propôs quatro estágios de desenvolvimento da infância: 1- Período Sensorimotor (0-2 anos), 2- Período Pré-Operacional (2-7 anos). 3- Período Operacional de Concreto (7-11), 4- Período Operacional Formal (11 e mais, até cerca de 19 anos). 

Na formação das crenças sofremos condicionamentos desde a infância por parte dos pais, com o método de educação ensinada com base nas suas próprias experiências de vida. Nesse processo o inconsciente coletivo e individual dos pais se encontra com o inconsciente individual em formação, formando as bases de crenças, estabelecendo comportamentos. Os estudos dos Psicólogos indicam a formação das crenças e a relação entre crenças e ações. As crenças se formam a partir de várias maneiras, além da primeira infância, também ao adotar as crenças de um líder carismático, e por meio da propaganda, que pelas estratégias podem se formar ou mudar as crenças através da repetição e associação de imagens com fortes emoções positivas. Na Teoria da Liderança de Anna Rowley, ela afirma: "Você quer que suas crenças mudem. É a prova de que você está mantendo os olhos abertos, vivendo plenamente e aceitando tudo o que o mundo e as pessoas ao seu redor podem lhe ensinar." Isso significa que as crenças dos povos devem evoluir à medida que ganham novas experiências. Na psicologia, o termo crença na autoeficiência, define a crença de alguém em seu próprio poder de agir de modo efetivo ou de influência eventos. Esse modelo de comportamento da ação é fruto da construção desde a infância.

Entre as crenças que se formam, tem as que se origina no convívio familiar, e são as que mais limitam ou potencializam o indivíduo. Elas são conhecidas como “Valores da família” ou “valores familiares” são as crenças políticas e sociais que mantêm a família tradicional como uma unidade fundamental e provedora da ética e moral. O conceito foi criado por políticos e advogados estadunidenses, muitas vezes classificados como conservadores. O familialismo é a ideologia que promove a família e seus valores como uma instituição. No final do século 20 o termo tem sido utilizado frequentemente em debates políticos, especial por religiosos conservadores, que acreditam que o mundo tem vivido com uma quebra dos valores da família desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas, o termo é amplo e pode ter diversos significados para cada pessoa. Assim as mudanças ao nosso redor acontecerão somente quando mudarmos nosso Sistema de crenças e valores, dando oportunidade a nós mesmos de evoluirmos em consciência e atitudes. As crenças militantes são como correntes que nos impede de evoluir, assim quanto mais entendermos a formação dessas, melhor iremos entender nosso eu hoje.

O doutor em Psicologia, Léon Bonaventure, belga e membro da Sociedade Internacional de Psicologia Analítica,  afirma que no conceito Jung a Personalidade refere-se a aspectos da alma, ao modo como ela funciona no mundo, firmando que na Psicologia Analítica de Jung, a “persona” indica um aspecto da personalidade, mais exatamente a imagem que o indivíduo mostra externamente, a forma como deseja ser visto, em sua relação com o mundo, ou relativamente ao status social que deseja que lhe seja atribuído. Refere-se também à adaptação do indivíduo ao coletivo, à atitude que assume como resposta aos outros e às situações, para adaptar-se ao ambiente e sobre ele agir, assim como a seus comportamentos convencionais, enquanto pertencente a determinado grupo social, a partir deste estudo e entendimento poderemos reprogramar nossas crenças, para um processo de individuação consciente. É o desenvolvimento do Self, que é um arquétipo, que tem a ver com a totalidade, centro regulador da psiquê. Segundo Jung o aparelho psíquico busca sempre o equilíbrio, é o Self é quem organiza a psiquê, assim do seu ponto de vista, o objetivo é a união da consciência com o inconsciente. Jung descobriu que aqueles que vinham a ele na primeira metade da vida estavam relativamente desligados do processo interior de Individuação; seus interesses primários centravam-se em realizações externas, no "emergir" como indivíduos e na consecução dos objetivos do Ego. Analisando os mais velhos, que haviam alcançado tais objetivos, de forma razoável, tendiam a desenvolver propósitos diferentes, interesse maior pela integração do que pelas realizações, busca de harmonia com a totalidade da psique.

Quando falamos em autodesenvolvimento, estamos entendendo que o indivíduo assuma, ele mesmo, a responsabilidade por este processo evolutivo, através da busca pessoal de recursos e condições, que lhe permitam reconhecer que hoje está melhor que ontem, e ter a certeza de que, amanhã, estará melhor que hoje. O autodesenvolvimento se mantém com continuidade, mas com leveza e acima de tudo buscando sempre estar em paz consigo e com o mundo a sua volta, apesar de todas as implicações da vida. Entendendo os processos que o fizeram chegar até aqui, terás plena consciência na restruturação das suas crenças pessoais. Assim descreve: “a individuação como o processo central do desenvolvimento humano”. Nesse ponto que se entende a importância do desenvolvimento continuo para uma vida intensa, mas leve respeitando as limitações.

Cezar Camargo
CBPSI N° 01085
Psicanálise | Mentoria | DH

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