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ESTRUTURAS DA PERSONALIDADE


Dois passageiros se debruçam à amurada do navio e contemplam o mar. “Há sem dúvida muita água no oceano”, comentou um deles. ‘É verdade’, respondeu o amigo, e só estamos vendo a parte de cima. (Psicol. George A. Miller/1962)    

O médico neurologista austríaco Sigmund Schlomo Freud, Vienense, deixou um legado não só para psicanálise por ser o fundador, mas para a humanidade isso é fato. É impossível falar da mente sem lembrá-lo. Seu trabalho com Josef Breur, o influenciou, inspirou na elaboração e fundação da psicanálise. Seu trabalho com a burguesia feminina contribuiu para seu complexo entendimento. Por que complexo? Acredito que a mente humana é um poço seu fim. Quanto mais cavar mais descoberta será feitas.

É extraordinário Freud olha para mente e como um arqueólogo explorou o máximo que pode, e a partir dos seus conceitos experimentou-os o quanto pode. A partir de suas teorias ainda hoje se cria, bases, estudos e experimentos na busca por novas descobertas. Que na medida em que são conhecidas nos auxilia numa melhor compreensão da mente, que por sua vez colabora para uma vida saudável a partir de uma mente sã. Segundo ele é no inconsciente que se materializa o impulso racional.  Ele entendeu que Não há nada de arbitrário nos acontecimentos psíquicos, todos eles são determinados; não há é uma determinação única. O tipo de ordem do Sistema Inconsciente é distinto dos Sistemas Consciente/Pré-consciente; mas isso não significa que não haja nenhuma ordem.

Para Freud a personalidade humana é resultado de conflitos entre os impulsos biológicos, agressivos, que procuram o prazer, e as restrições sociais a eles afirma David Myers. Na sua percepção a personalidade é resultado dos esforços para resolver esse conflito básico. O mago da mente sustenta que o conflito concentra em três sistemas interativos: id, ego e supoergo. Estes por sua vez são conceitos abstratos segundo Freud para compreender a dinâmica da mente.

Id (al. es, "ele, isso"): O id é a fonte da energia psíquica (libido). O id é formado pelas pulsões - instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes. Ele funciona segundo o princípio do prazer (al. Lustprinzip), ou seja, busca sempre o que produz prazer e evita o que é aversivo, e somente segundo ele. Não faz plano, não espera, busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a realidade e uma satisfação na fantasia pode ter o mesmo efeito de um atingido través de uma ação. O id desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego irracional, anti-social e dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente.  

Ego (al. ich, "eu"): Na medida em que se desenvolve, a pequena criança aprende a lidar com o mundo real. O ego desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo externo: é o chamado princípio da realidade. É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano: a satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de conseqüências negativas. A principal função do ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos do id e a realidade e, posteriormente, entre esses e as exigências do superego. O ego contém nossas percepções, pensamentos, julgamentos e lembranças parcialmente conscientes. É a personalidade “executiva”.

Superego (al. Überich, "super-eu"): A partir dos 4 ou 5 anos de idade a criança reconece as demandas do superego que começa a emergir. É a voz da consciência que força o ego que a considerar não apenas o real, mas o ideal. Seu propósito é exclusivo é como devemos nos comportar. É a parte moral da mente humana e representa os valores da sociedade. O superego tem três objetivos: (1) inibir (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer impulso contrário às regras e ideais por ele ditados (2) forçar o ego a se comportar de maneira moral (mesmo que irracional) e (3) conduzir o indivíduo à perfeição - em gestos, pensamentos e palavras. O superego forma-se após o ego, durante o esforço da criança de introjetar os valores recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos; outra característica sua é o pensamento dualista (tudo ou nada; certo ou errado, sem meio-termo). O superego divide-se em dois subsistemas: o ego ideal, que dita o bem ser procurado, e a consciência (al. Gewissen), que determina o mal a ser evitado.  

Entender essas estruturas já dá uma visão bem pratica de como nossa mente é complexa e um oceano vasto para descobertas, Freud penso não entendeu, descobriu tudo, estamos sempre evoluindo. Essas três estruturas em questão me fazem cada vez mais me aprofundar neste campo tão significativo para entender a existência humana e suas mudanças psíquicas ao longo do tempo espaço. Espero este inspire também a sua busca por conhecimento.

Cezar Camargo
Outono – Abril/2015

Material de Estudo/Pesquisa:
·         Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer. ISBN 3 540 66230 8
·         Carver, Charles S. & Scheier, Michael F. (2000). Perspectives on personality. Boston: Allyn and Bacon. ISBN 0 2055 2262 9
·         Introdução À Psicologia Geral (1999) David Myers. ISBN:8521611862   

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