CONJUGALIDADE (SABEDORIA)


“A sabedoria do alto é pura, pacifica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos (boas obras), sem parcialidade (é cordial) e sem hipocrisia”. A sabedoria que não vem do alto é terrena (padrões), animal, egoísta (concupiscência) e diabólica (tríplice obra).  (Tiago)

Não existe segredo, mistérios, ou qualquer palavra magica em relação ao sucesso de um casamento duradouro. As experiências que ouvimos dá uma noção de como é e de que forma poderemos resolver algumas questões. Cada relação tem sua particularidade, tem seus modos operandi. Não somos maquinas para ter um padrão, “somos seres individuais, é necessário que se compreenda a individualidade que é peculiar de cada um”. A relação não pode ser regida por conceitos, mas sim por uma construção diária, deve ter um fundamento solido pautado na sinceridade, cumplicidade, e claro o principal AMOR.     

As palavras de Tiago me faz pensar muito, vejo “a sabedoria como orientações do Eterno ao homem por meio de Jesus simplificado no evangelho, as boas novas ao mundo caído em trevas”. O patriarca Jó em sua argumentação declara; “Eis que o temor do Senhor é sabedoria”. Nosso temor revela nossa devoção, o grau de relação para com Deus, quanto mais cresço em graça, mais aproximo do Eterno, essa conexão me permite estar sensível aos caminhos de Deus. Segundo o Salmista em seu louvor; “Bom entendimento têm todos os que lhe obedecem”. A sabedoria de cima abre os olhos da consciência. Adquirir essa sabedoria é possível e está acessível a todos que desejam. Salomão na sua meia idade teve um deslumbre da sabedoria ao declarar: 
O temor do Senhor é o principio da sabedoria, e a ciência do santo, a prudência”

O casal que não desfruta dessa tem dificuldades imensas, em todos os momentos na conjugalidade é preciso. Nos diálogos, na intimidade, nos afazeres domésticos, na criação dos filhos, no planejamento, na hora de comprar, até mesmo nas decisões mais simples. O encontro com Cristo disponibiliza essa possibilidade, por ela somos melhorados diariamente, aperfeiçoados segundo nosso crescimento. Na relação conjugal ter sabedoria é preciso, através dela outros passos são possíveis na compreensão da relação.

A pureza da sabedoria nos santifica e por fim melhora a convivência, a palavra pura é escudo para todos aqueles que nele creem. Tiago tinha essa consciência.   A pureza da sabedoria do alto é vida com lucides, nela não há verdades humanas, sim verdades eternas, conhecimento esse que não vem da carne, vem do Espirito do verbo vivo. O cordeiro ressuscitado. “O crescimento como nova criatura acontece naturalmente quando Cristo pelo seu evangelho se torna pratica diária”. Um casamento se mantem puro com sinceridade, cumplicidade e AMOR.  O evangelho aperfeiçoa o caráter, transforma a mente caída em mente segundo Cristo, essa por sua vez quando adquiriu princípios, passa a ter fundamento do alto, de Deus. Um leito sem mácula e puro é consequência de uma vida relacional com Deus diária, nela o Eterno tem primazia. “Uma vida de fidelidade é construída quando se está na companhia do creador”.

A sabedoria pacifica flui naturalmente de quem a tem, Jesus em seu grande discurso disse; “Bem aventurado os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus”. Um ser pacificado pacifica aonde chega. Seja qual for o ambiente. No casamento não é diferente, ser pacificado depende de paz interior. No cotidiano as adversidades que surgem constantemente traz muita pressão, algumas vezes leva a depressão, a maioria somatiza no corpo, passa metade da vida de médico em médico. “A paz que excede todo entendimento vem da fonte, Deus”. Pelo seu amor expressado na cruz em Cristo, nos pacifica constantemente. O “Reino de Deus é composto por pacificadores”, uma relação saudável quando é pacificada tem seu equilíbrio natural. A paz interior é fundamental para vivencia humana em todos os âmbitos, é essencial no casamento e em qualquer outro tipo de relação. A sabedoria do alto é pacifica, sempre. Nenhum casal é perfeito, assim como na vida na medida em que amadurecemos, mais compreendemos nossa existência. “Ser pacificado é o caminho para ser calmo e tranquilo”.  

Outro elemento citado por Tiago é um fator que passa despercebido por muitos. Em tudo é preciso ter moderação; sabedoria moderada. Um casamento também é feito de moderação, tudo demais é prejudicial em todos os sentidos. Nas atividades do casal, moderação é o elemento de que dá equilíbrio, sustentação. Seguindo este pensamento esses fatores ligam um ao outro.  

A sabedoria do alto é tratável. O casamento no inicio é marcado por divergências, na medida em que os anos passam esses detalhes vão se ajustando com o dialogo. O casamento se ajusta na medida em que ambos se submetem e aceitem ser tratados, melhorados. A soberba, o orgulho são dois inimigos arquirrivais a vencer. Somente uma conversão sincera nos permite ser tratados. Encarar nossos monstros, não é tarefa fácil, diariamente somos confrontados por situações que não esperamos. Nela muita coisa se-revela, sensações, sentimentos, desejos, ganhamos percepções inimagináveis, que muitas vezes muda nosso caminho, conceito e até mesmo nos redireciona. Ser tratável é uma característica de quem nasceu de novo, não pelo sangue, mas sim pelo Espírito.

A sabedoria do alto é cheia de misericórdia e de bons frutos (boas obras). Os conges precisam ser misericordiosos diante dos erros um do outro, estamos sempre em construção, em todas as áreas da nossa existência. Do alto vem o saber e por ele a misericórdia é embutida no ser. O amor tem como um dos ingredientes misericórdia, quem ama se compadece, tem olhar além das aparências, a misericórdia nos deixa misericordiosos. Essa virtude se manifesta nas ações diárias, no tratar com o próximo. A sabedoria do alto se caracteriza nos bons frutos, como bondade, domínio próprio, mansidão, fé, benignidade, longanimidade, gozo... Esses são materializados em boas obras, como pratica de vida, ser guiado por essa sabedoria, o casamento flui naturalmente. “Uma relação sustentada pelos fundamentos do evangelho vence qualquer dificuldade”. Que a misericórdia em boas ações seja o sustento de cada alma, cada casal, cada família. Regidos pelo AMOR, não há obstáculo que não seja superado.  

A sabedoria do alto sem parcialidade (é cordial) e sem hipocrisia. No evangelho nossa relação com o próximo vai muito mais além da aparência, é sincero, sem mascaras, ele nos torna cordial, amigáveis, sem mentiras. Nesse quesito um casamento sadio jamais é construído tendo a aparência como elemento principal. Um corpo perfeito às vezes até atrapalha, em uma sociedade que cultua e explora as formas, onde as tendências rege o comportamento da presente sociedade. Esse movimento pós-moderno criou uma geração sem valores, que não prioriza mais o essencial o AMOR. Andar no evangelho é estar diariamente sendo moldado, trabalhado como um vaso nas mãos do oleiro. No Reino não parcialidade nem hipocrisia, não há acepção de pessoas, não há mascaras e sim veracidade. “Assim é o caminho do Eterno, sabedoria dado por ele melhora as relação”.

A sabedoria que não vem do alto é terrena. Os padrões da terra são construídos por verdades humanas. Fruto dos estudos, das percepções, algumas até coerente. O homem natural não sai da esfera horizontal por isso não pode compreender as coisas Espírituais, enquanto que o homem nascido de novo vive na vertical, está alinhado com os assuntos do alto, conectado com Reino. Um relacionamento segundo a sabedoria do alto é Espíritual, segundo Paulo “o homem segundo o Espírito não fala com sabedoria humana, mas do alto”. A relação conjugal requer crescimento constante no evangelho, a partir dele os valores são entendidos e praticados. Um casamento segundo os padrões divinos é duradouro, é sustentado por fundamentos sólidos, com os padrões divinos vem à prudência.                        
A sabedoria que não vem do alto é animal, egoísta. Nosso instinto primitivo, nossa tendência carnal, os desejos mais íntimos são impulsos que desde pequenos eles vão surgindo inconscientemente. Witham declara; “a partir de um espírito maligno, que fomenta a inconstância, e todos os tipos de males”. Esse espirito atua na natureza carnal que há em cada um. O mesmo Tiago um pouco antes entende que somos tentados por nossa própria cobiça. Paulo aos Romanos adverte; “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências”.  A animalidade existente desperta todo tipo de inclinação que sacie nossos desejos seja quais forem. Agir conforme nossas inclinações é andar segundo a natureza caída, uma vez nela o fim será destruição e separação da comunhão em Cristo, não porque ele nos rejeita, mas porque nos cuidados deste mundo, não discernimos a voz do alto. “Nada pode nos esconder de Deus, ele é, e está em tudo e em todo lugar”. Simples assim. Revestidos de Cristo somos providos de discernimento do alto, “a sabedoria do alto revela a fortaleza que não é de nós, mas dele, Cristo”. O egoísmo é a ausência da cruz, sendo assim nosso único foco será nossa satisfação pessoal.

No evangelho nossa satisfação é o Reino e no Reino o próximo é o nosso caminho. No casamento essas inclinações são destruidoras, conjugalidade não é feita apenas de sexo, de performances, mas de essência. A sabedoria do alto e o revestimento vêm com compromisso em seguir a Cristo, observando segundo seu evangelho puro e simples. Meu amigo Paulo Bregantin bem disse; "A experiência com Cristo e a vivência do EVANGELHO". Quanto mais andamos com ele mais experientes ficamos, até o dia perfeito do encontro com ele.

A sabedoria que não vem do alto é diabólica. (tríplice obra) Cristo é nossa ligação ao pai, ele restaurou essa comunhão antes mesmo da ruptura. A falta de sabedoria e principalmente aquela que é dada por Deus aos seus filhos, deixa nos vulnerável constantemente. Ele veio para matar, roubar e destruir, mas ele encarnou pelo Pai para dar vida e vida com abundância. Nele, a sabedoria anula toda obra das trevas. Por ele o amor encontra espaço das mais variadas formas, experimentamos a plenitude em tudo que realizamos. Um casamento saudável é construído com paciência e crescimento constante, requer dos conges aplicação, interesse e principalmente o amor. Em Deus, o evangelho nos leva a encontrar Deus, em Deus o evangelho através do amor realiza tudo, harmoniza e restaura.

Que Deus em Cristo derrame sobre nós, cada vez mais sua sabedoria do alto, que pelo seu Espírito da verdade nos encha de graça diariamente, crescendo de glória em glória até a estatura do varão perfeito. Deus abençoe seu lar em tudo, provendo e guardando.


Cezar Camargo
29 de Junho de 2014
Campinas - São Paulo

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