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O Relógio da Alma

Este momento é muito mais que uma tradição social: é uma oportunidade ritualística, espontânea e coletiva, para engajar-se com o processo mais profundo da existência humana — a individuação. Este texto propõe uma jornada reflexiva, utilizando as lentes da psicologia complexa (analítica), para explorar como esse rito de passagem anual pode iluminar nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Veremos como os conceitos junguianos não só curam almas no setting clínico, mas também podem inspirar organizações a se tornarem ecossistemas mais saudáveis, criativos e significativos. Ao final deste périplo, você não terá uma lista de resoluções vazias, mas um mapa para navegar pelas paisagens interiores do próximo ciclo. I. O Réveillon como Encontro com o Self: A Dinâmica Psíquica da Transição Jung entendia a psique como um sistema complexo, autorregulador e orientado para a totalidade. O Self, centro organizador dessa totalidade, frequentemente se comunica através de símbolos, sonhos e sincron...
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Das Sombras à Alma: As Raízes Platônicas da Psicologia Complexa

  A Intersecção entre Filosofia Antiga e Psicologia Profunda e como a metafísica de Platão antecipou a estrutura da psique na obra de C.G. Jung,  psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia profunda – também conhecida como psicologia complexa e, no Brasil, popularmente denominada psicologia analítica.  A psicologia moderna, muitas vezes, é vista como uma ciência nascida nos laboratórios do século XIX ou nos divãs do início do século XX. No entanto, para o estudante da Psicologia Complexa (ou Psicologia Analítica), as raízes do entendimento humano mergulham muito mais fundo na história do pensamento.  Ao analisarmos a Filosofia Platônica e os Primórdios do Pensamento Grego, torna-se evidente que muito do que Carl Gustav Jung cartografou na psique humana já havia sido desenhado, em linguagem metafísica, pelos grandes pensadores da Grécia Antiga. Este artigo explora de forma breve como a Filosofia Platônica serve como o elo perdido para psicólogos e entusi...

Praticidade Mental versus Ruminação Mental

Uma Análise à Luz da Neurociência e da Psicologia Complexa A mente humana é um sistema dinâmico, integrado e em constante adaptação ao ambiente interno e externo. Entre seus modos de operação, dois padrões cognitivo-emocionais se destacam por sua frequência e impacto na qualidade de vida: a praticidade mental e a ruminação mental. Enquanto a primeira representa uma atitude funcional, orientada para a resolução de problemas e a flexibilidade psíquica, a segunda envolve um ciclo repetitivo, autoperpetuado de pensamentos negativos, frequentemente associado a transtornos como depressão e ansiedade.  Compreender esses dois modos de funcionamento — não como polos opostos fixos, mas como configurações dinâmicas de um sistema complexo — exige uma abordagem interdisciplinar que una evidências neurocientíficas com modelos teóricos sofisticados, como os propostos pela psicologia analítica (junguiana) e pela psicologia complexa. 1. A Ruminação Mental: Um Ciclo Neurocognitivo Autoperpetuado A r...

A Dança dos Cérebros: A Importância da Sincronia Afetiva

Quantos relacionamentos terminam não com um grande estrondo, mas com um silêncio ensurdecedor? É aquela sensação desconcertante de que, de repente, uma das pessoas simplesmente "despertou" de um sono profundo e decidiu ir embora. O que leva um parceiro a partir, a fazer as malas físicas e emocionais, se até pouco tempo atrás o casal parecia apaixonado, cheio de vida e desenhando planos para um futuro compartilhado?  Essa pergunta assombra consultórios e mesas de jantar. Frequentemente, procuramos culpados. Apontamos o dedo para a traição, para o desleixo ou para a "falta de amor". No entanto, a resposta para a sobrevivência — e a prosperidade real — do amor reside em uma competência muito mais sutil e profunda: a capacidade de transitar, com fluidez, entre dois mundos aparentemente opostos: a autonomia radical do "Eu" e a conexão visceral do "Nós". Quando esse equilíbrio se perde, escorregamos para o terreno perigoso da assincronia, onde o amor s...

Assincronia de Individuação: A causa psicológica de muitos términos.

Eu mudei, você não: Entendendo a Assincronia de Individuação nos Relacionamentos Quantos relacionamentos terminam não com um grande estrondo, mas com a sensação desconcertante de que uma das pessoas simplesmente... "despertou" e decidiu ir embora? O que leva um parceiro a ir embora, se antes o casal estava apaixonado, cheio de vida e com planos para o futuro? Um parceiro começa a sair sozinho, a ter interesses que não incluem mais o outro, a tomar decisões unilaterais. Para quem fica, a sensação é de traição, abandono e confusão. "Quem é você?", perguntamos. "Nós não tínhamos um acordo?" O que poderia ter acontecido a ponto de o acordo ser quebrado? A desconexão é sutil, mas real e devastadora. Tudo começa quando o padrão de comportamento muda; é a assincronia quebrando a harmonia da relação. O que frequentemente vemos como "egoísmo" ou "traição" é, na verdade, um dos processos psicológicos mais profundos e dolorosos da vi...