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A Pausa entre o Desejo e a Ação

Uma leitura simbólica entre Psicologia Profunda e I Ching Nos últimos anos, a chamada frequência 432 Hz tem despertado interesse não apenas no campo musical, mas também em contextos ligados à saúde mental, espiritualidade e autoconhecimento. Para além de explicações técnicas ou debates científicos sobre sua eficácia, este texto propõe uma leitura simbólica e psicológica do tema, articulando a psicologia profunda, especialmente a perspectiva junguiana, com o I Ching e o conceito do eixo do 5. O objetivo não é defender a frequência como um recurso terapêutico em si, mas compreendê-la como um mediador simbólico de estados de consciência. 1. O som como experiência psíquica Na psicologia profunda, o som não é apenas um estímulo físico mensurável, mas um evento psíquico. Antes de ser compreendido racionalmente, ele é sentido, afetando camadas conscientes e inconscientes da experiência humana. Assim como imagens, mitos e rituais, o som pode: Mobilizar afetos Evocar estados internos Favorecer ...
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A Noite Escura da Alma: Quando a Dor se Torna Caminho

Há momentos na vida em que tudo parece ruir. O corpo dói sem explicação médica clara. O sono foge, mesmo quando o cansaço é profundo. Os pensamentos se embaralham, os sentimentos tornam-se pesados demais para carregar — e até o simples ato de levantar da cama exige uma coragem quase heróica. É nesse estado de aparente vazio — onde a esperança parece ausente, mas ainda não morta — que muitas pessoas entram no que a tradição mística e a Psicologia Analítica chamam de “ noite escura da alma ”. Este conceito, originalmente descrito pelo poeta espanhol São João da Cruz no século XVI, foi retomado por Carl Gustav Jung e integrado à Psicologia Complexa como uma fase necessária de transformação interior . Não é uma doença, embora possa parecer com uma.  É um processo arquetípico de dissolução do ego — precedendo a reconstrução de um eu mais autêntico, mais alinhado ao Self, o centro regulador da psique . Recentemente, acompanhei clinicamente o caso da Sra. Lene (nome fictício), uma mulher...

Burnout não é fraqueza: é o grito da alma por sentido

Como a Psicologia Junguiana e a Neurociência nos convidam a transformar o esgotamento em caminho de cura e autenticidade. A Síndrome de Burnout foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional, em janeiro de 2022. Ela pode ser provocada pelo excesso de responsabilidades e competitividade dentro do contexto profissional. Pode gerar estresse, cansaço físico e mental, além de sentimento de frustração, culpa e irritabilidade. Segundo a entidade, há um considerável aumento de diagnósticos de depressão ou ansiedade no Brasil.  Afastamentos de trabalho por burnout aumentaram em quase 1000% em uma década, considerando o número anual de diagnósticos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para concessão de auxílio doença. A Síndrome de Burnout é um transtorno cada vez mais comum. Alguns de seus indícios se caracterizam por um estresse devastador, extremo, superior à capacidade pessoal do indivíduo de lidar com questões do dia a dia de modo eficiente. ...

Estados Psicológicos do Colapso Conjugal

  O Palco do Conflito A cena é dolorosamente comum nos consultórios de psicologia. De um lado, há o parceiro que cobra, grita, chora e demanda – chamaremos de "O Perseguidor". Do outro, há o parceiro que se cala, se retrai, olha para o nada e, quando questionado, profere a frase que mais enfurece o outro: "Minha mente está vazia. Não consigo pensar em nada." Para quem ouve, esse "branco" soa como indiferença, frieza ou fuga. Para quem sente, é um abismo aterrorizante. Mas o que realmente acontece quando o amor vira guerra e a mente apaga? Para responder a isso, precisamos ir além do senso comum. Precisamos olhar através das lentes da Neuropsicologia, da Psicanálise Clínica e da Psicologia Complexa. O que descobrimos não é falta de amor, mas um complexo mecanismo de defesa, trauma e biologia operando em simultâneo. 1. A Visão Neuropsicológica: O Sequestro da Razão Quando um casal entra em uma discussão acalorada, a primeira vítima é a lógica. A neurociência...

O Relógio da Alma

Este momento é muito mais que uma tradição social: é uma oportunidade ritualística, espontânea e coletiva, para engajar-se com o processo mais profundo da existência humana — a individuação. Este texto propõe uma jornada reflexiva, utilizando as lentes da psicologia complexa (analítica), para explorar como esse rito de passagem anual pode iluminar nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Veremos como os conceitos junguianos não só curam almas no setting clínico, mas também podem inspirar organizações a se tornarem ecossistemas mais saudáveis, criativos e significativos. Ao final deste périplo, você não terá uma lista de resoluções vazias, mas um mapa para navegar pelas paisagens interiores do próximo ciclo. I. O Réveillon como Encontro com o Self: A Dinâmica Psíquica da Transição Jung entendia a psique como um sistema complexo, autorregulador e orientado para a totalidade. O Self, centro organizador dessa totalidade, frequentemente se comunica através de símbolos, sonhos e sincron...