Este momento é muito mais que uma tradição social: é uma oportunidade ritualística, espontânea e coletiva, para engajar-se com o processo mais profundo da existência humana — a individuação. Este texto propõe uma jornada reflexiva, utilizando as lentes da psicologia complexa (analítica), para explorar como esse rito de passagem anual pode iluminar nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Veremos como os conceitos junguianos não só curam almas no setting clínico, mas também podem inspirar organizações a se tornarem ecossistemas mais saudáveis, criativos e significativos. Ao final deste périplo, você não terá uma lista de resoluções vazias, mas um mapa para navegar pelas paisagens interiores do próximo ciclo. I. O Réveillon como Encontro com o Self: A Dinâmica Psíquica da Transição Jung entendia a psique como um sistema complexo, autorregulador e orientado para a totalidade. O Self, centro organizador dessa totalidade, frequentemente se comunica através de símbolos, sonhos e sincron...
O Palco do Conflito A cena é dolorosamente comum nos consultórios de psicologia. De um lado, há o parceiro que cobra, grita, chora e demanda – chamaremos de "O Perseguidor". Do outro, há o parceiro que se cala, se retrai, olha para o nada e, quando questionado, profere a frase que mais enfurece o outro: "Minha mente está vazia. Não consigo pensar em nada." Para quem ouve, esse "branco" soa como indiferença, frieza ou fuga. Para quem sente, é um abismo aterrorizante. Mas o que realmente acontece quando o amor vira guerra e a mente apaga? Para responder a isso, precisamos ir além do senso comum. Precisamos olhar através das lentes da Neuropsicologia, da Psicanálise Clínica e da Psicologia Complexa. O que descobrimos não é falta de amor, mas um complexo mecanismo de defesa, trauma e biologia operando em simultâneo. 1. A Visão Neuropsicológica: O Sequestro da Razão Quando um casal entra em uma discussão acalorada, a primeira vítima é a lógica. A neurociência...